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Nota 7

 

Reflexão posterior. É possível destacarmos no processo inicial de Brasil Subterrâneo uma particular ideia, menos de adaptação e mais aproximada da noção de tradução, com a qual Celina trabalha há tempos, como, por exemplo, nas peças iniciais Ophelia By Hamlet, de 1991; Narcyso de Bergerac, de 1993 e Alma de Kokoschka, de 1994.  Ou, ainda, nas mais recentes Ferocidade, livremente inspirada em Macbeth, de Shakespeare; Moscou, Três Irmãs no Século XXI, baseada em As Três Irmãs, de Anton Tchekhov, e O Homem do Avesso, baseada na novela Notas do Subterrâneo, de Dostoiévski; e O Sacrifício de Andrei, baseada no roteiro do filme O Sacrifício, de Andrei Tarkovski.

 

Fazemos aqui uma apropriação da noção de tradução presente no artigo “A tarefa do tradutor” (1923), de Walter Benjamin. Um aspecto fundamental que Benjamin discute em seu artigo é a noção de original, que responderia pelo teor de abertura com o qual uma obra é estruturada. Ele identifica o trabalho de arte suscitado por obras originais com um forte elemento de não-completude. Talvez essa não-completude guarde relação com o que mais contemporaneamente se compreende como o inacabamento do signo de arte.

 

Não será então aquilo que para além da comunicação existe numa poesia – e até o mau tradutor concede que aqui se situa o essencial – o que geralmente se cognomina de inapreensível, misterioso e “poético”? Ou seja, aquilo que o tradutor só consegue transmitir na medida em que também ele escreva poesia. (BENJAMIN, 2008, p. 25, 26)

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